Protecção solar externa e interna

Hoje a minha partilha é sobre a minha relação com o Sol – o astro-rei – outrora adorado e hoje tão temido. Precisamos pacificar este temor e recuperar uma relação amigável e consciente com o Sol com urgência! Não só pela nossa saúde como pela saúde dos mares.  

Por isso venho falar sobre protecção solar e da minha experiência na exposição ao Sol. De como através dos alimentos podemos nutrir, embelezar e proteger a nossa pele, empoderando-nos para melhor receber o Sol e obter grandes benefícios desse contacto, entre eles a produção da famosa vitamina D.

Choca-me a normalização do uso de cremes de protecção solar. Chegar às praias e ver toda a gente a besuntar-se, independentemente da hora, com cremes cheios de químicos e cheiros artificiais.

Convencionou-se que o Sol é especialmente agressivo para um dos nossos órgãos (a pele) e que, consequentemente, toda a exposição solar deve ser mediada por cremes protectores. Ora nós não podemos centrar a nossa relação no medo e apenas nos supostos prejuízos sobre a pele, quando os benefícios gerais são tantos e extremamente vitais (num uso consciente).

Por outro lado, a pele, ou qualquer órgão, não é estanque, e para estar saudável e jovem não depende apenas de factores externos (do uso tópico de cremes, neste caso). A capacidade de protecção da nossa pele frente a agressões externas, depende de como nos nutrimos, do nosso estado emocional e até da nossa microbiota, ou seja, do nosso estado de saúde no geral. Portanto, querer proteger a pele do Sol com bloqueadores solares, não é a solução holística que o corpo pede. Mas, acima de tudo, o alerta aqui é de que esses cremes não são nada inofensivos (os convencionais, aqueles que normalmente vemos nos supermercados e farmácias) para a nossa saúde e, sobretudo para o meio-ambiente.

Perigos dos protectores solares

Existem basicamente 2 tipos de protectores solares, os filtros químicos e os filtros físicos. Os filtros químicos são os mais comuns. Necessitam ser absorvidos pela pele para se tornarem activos. Problema: contêm substâncias tóxicas e disruptores endócrinos (moléculas capazes de mimetizar as hormonas e, deste modo, alterar o funcionamento hormonal e de outros sistemas, como o sistema nervoso e o imunitário). Ora, devido à intensidade do calor durante a exposição solar, essas substâncias penetram bem profundamente e, adivinhem, aumentam o risco de cancro, nomeadamente de cancro de pele.

Depois temos os filtros físicos, que exercem una barreira física frente à radiação solar. São mais espessos e deixam uma capa branca na pele. Em alguns, para melhorar esta característica, juntam-lhes nanopartículas. Estas nanopartículas também se absorvem e podem ser prejudiciais.

Em termos ambientais, quer os filtros químicos, quer o óxido de zinco (presente na maioria dos filtros físicos) provocam o branqueamento e morte dos corais e alteram os ecossistemas marinhos.Cada ano chegam aos oceanos toneladas de protector solar… Por isso é tão importante que optemos por formas mais conscientes de relacionar-nos com o Sol… e com o nosso corpo e a Natureza!

Como me protejo?

Eu sou bem branquinha e há bem mais de 10 anos que não uso cremes protectores solares! E como me protejo do Sol?

  • Evito as horas de maior calor, evitando a exposição directa e prolongada aprox. entre as 11.30 e as 16.30. Se não puder (como por exemplo quando faço caminhadas) protejo-me com roupas claras de tecidos frescos e claro, uso também um bom chapeuzinho de abas largas a fazer sombra no rosto.

O hábito de nos estendermos imóveis numa toalha, à torreira do Sol, por horas a fio, de modo intensivo durante 1 ou 2 semanas ao ano, aquando das almejadas férias (isto depois de meses enclausurados em espaços de trabalho onde a luz eléctrica é a que marca a regência), nada tem a ver com a nossa programação biológica e experiência milenar de relação com o Sol. Noutros tempos, trabalhava-se e vivia-se mais no exterior, desenvolvia-se um hábito de relação com o Sol e sabiamente se recorria a panos e roupas para proteger nas horas mais abrasantes, caso não fosse possível o recolhimento.

  • Não uso óculos de Sol – a ilusão de escuridão que é dada ao cérebro, faz com que a pele anule certos mecanismos inatos de protecção (que se activam quando através da visão nos chega a informação de elevada intensidade de luz).
  • Cuidados externos da pele – o meu “creme protector” solar preferido é o óleo de côco (spf 5-8). Costumo usá-lo quando sei que vou estar mais de meia hora exposta ao Sol, mas claro, mal se aproximam as horas pico, retiro-me ou visto um blusa fina de manga comprida e procuro sombra. A par do óleo de côco, uso com frequência o gel de aloé vera e outros óleos vegetais (entre eles um bom azeitinho) na hidratação da minha pele depois da exposição solar. Ao contrario dos protectores convencionais, o óleo de côco não impede a formação de vit D.
  • Protecção solar interna: eis a chave! O que considero que realmente torna a minha pele resistente ao Sol é a alimentação naturalmente rica em antioxidantes que pratico. Recordo-me como antigamente era frequente apanhar escaldões, inclusive usando cremes protectores solares. Com o melhorar dos meus hábitos alimentares e de vida, essas situações acabaram!

Protecção solar através da alimentação

Podemos, pois aumentar de maneira funcional o consumo de certos alimentos que podem atuar como proteção solar natural, ajudando a proteger a pele de queimaduras e dos danos que podem levar ao cancro de pele. Por outro lado, evitar os que são pró-oxidativos, inflamatórios e que desidratam (açúcares, álcool, fritos, refinados, laticínios, produtos cárnicos, etc.)

A Natureza, tão sábia, está aí, gerando em abundância aqueles alimentos refrescantes e cheios de cor que protegem dos danos oxidativos do Sol. Especialmente no Verão ela presenteia-nos com uma variedade de alimentos riquíssimos em vitaminas e minerais, com propriedades antioxidantes que reduzem a inflamação e protegem da degeneração celular. Frutas e vegetais devem, primeiro requisito, ser escolhidos tendo em conta o modo de produção (sem agrotóxicos) e a sazonalidade – de modo a garantir essas caraterísticas.

Não vou criar aqui uma lista exaustiva com a composição e propriedades de alimentos, o que quero acima de tudo transmitir, é que a solução não está num superalimento milagroso, mas no conjunto da dieta e de hábitos.

Então, resumindo, para proteger pele dos radicais livres e do cancro devemos aumentar a quantidade de alimentos crus e coloridos, ricos em água, enzimas, vitaminas A, C e E. Temos no Verão uma variedade incrível de frutas e vegetais com essas características. Desde as melancias, aos pêssegos, amoras, uvas (não descures as grainhas), pepinos, tomates, cenouras, etc. Vegetais de folhas verdes escuras e germinados, também devem estar sempre presentes. Gorduras também, mas de qualidade (vegetais, não refinadas, em cru). Encontramo-las em sementes, frutos secos, azeite. E não esquecer ainda a ervas aromáticas e especiarias sempre com tantas propriedades antioxidantes e anticancerígenas (alecrim, orégãos, manjericão, hortelã, hibiscos, curcuma, etc).

Já sabes! Enche a lancheira de frutas coloridas (não valem sumos), água mineral e uns bons refrescos de ervas!

O Sol não provoca cancro! O cancro de pele é derivado de uma combinação de factores, que criam vulnerabilidades na pele. Uma dieta pro-inflamatória e pobre em antioxidantes, juntamente com uma exposição excessiva e outros factores disruptores (cremes, contaminação, stress) aumentam as probabilidades.

E não esquecer, necessitamos o contacto directo do Sol na pele para produzir vitamina D, um dos maiores remédios anti-cancerígenos!

Fontes:

https://www.bcpp.org/our-work/core-science/

https://www.ewg.org/

https://www.naturalnews.com/055127_sunscreen_ingredients_cancer_chemicals_vitamin_D.html

https://www.naturalnews.com/032815_sunscreen_chemicals.html

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