Beldroegas

No Verão estas bonitas folhinhas carnudas recheiam os meus pratos. E este ano são da minha horta! Estou tão feliz por ver os belos mandalas de beldroegas crescendo por aqui, de forma espontânea, com tanta força e abundância! Um valioso regalo, reflexo de que o solo agora tem mais vida, graças ao carinho e nutrição que lhe temos dado.

Eu vibro muito com tudo o que cresce assim, de forma espontânea, de Graça… além da magia inerente à surpresa, da rebeldia na forma da aparição e da força vital que trazem, as plantas silvestres comestíveis têm um poder nutricional incrível, que é, de um modo geral, superior ao das cultivadas!

E penso cá para mim… acho que é “pecado” não as comermos e não usufruirmos destes regalos divinos em forma de “superalimento”…

Temos o direito e o dever de recuperar a relação com as plantas silvestres comestíveis e medicinais, apesar de desconsideradas na sociedade industrial capitalista. Elas fazem parte da nossa cultura e humanidade e trazem respostas e soluções para muitos problemas actuais…

Se vives na cidade também as encontras, às beldroegas e outras bravias, quer em jardins, quer por entre as pedras das calçadas, em fendas de paredes ou até mesmo nas fissuras do alcatrão, de onde conseguem irromper, qual manifesto de vida e beleza, materializando diálogos secretos entre os elementos e recordando-nos a resiliência eterna da mãe Natureza. Contempla-as mas não as consumas (estas dos espaços públicos urbanos), pois podem estar contaminadas por venenos ou dejectos de animais. É melhor fazer um passeio por hortas, jardins e bosques onde saibamos que estão limpas.

Felizmente o interesse pelas PANC’s (Plantas Alimentícias Não Convencionais) está em expansão e é frequente encontrá-las à venda nos mercados de produtores biológicos – no Príncipe Real, Campo Grande, Feira da Ladra, etc –  (quando vivia em Lisboa era lá que ia comprar)

As beldroegas (Portulaca oleracea) dão-se especialmente bem em hortas, a par com as hortícolas, onde usufruem das regas abundantes destinadas a estas e da fertilidade do solo. As suas sementes são minúsculas e cada planta gera milhares, que depois podem permanecer viáveis ​​no solo por décadas! Ao encontrarem as condições ideais, lá para finais de Maio, as mais bravias começam a brotar e as suas folhinhas vão-se expandindo, com geometrias estrelares, criando belos tapetes em “horror vacui”.

Sou muito grata pela abundância desta plantinha aqui na terra! Elas são daqueles superalimentos com inúmeras propriedades, além de que têm um sabor e textura maravilhosos!

São uma das plantas mais ricas em Omega 3. Alguns investigadores referem mesmo que tem DHA (ácido gordo essencial, da família Omega 3, com grande poder antinflamatório e antioxidante, sobretudo a nível cerebral e do sistema nervoso) nos rebentos tenros, algo que parece ser inédito numa planta de terra (algumas algas marinhas e peixe azul são as fontes de que se tem conhecimento).

Têm também grande quantidade de compostos antioxidantes: como a vit. E, C, betacarotenos, flavonoides… E vários minerais importantes, incluindo potássio, magnésio e cálcio.

Estas características fazem dela uma planta com importantes propriedades antinflamatórias e excelente para o fortalecimento imunitário. É também muito interessante como diurética e digestiva – devido aos mucílagos, é óptima como calmante a nível das mucosas digestivas e das vias urinárias. Essas propriedades emolientes também têm utilidade a nível externo em situações de queimaduras e outras irritações de diversas etiologias.

Como consumir:

As possibilidades são infinitas pois toda a planta é deliciosa e comestível (inclusive as sementes). Quem já me conhece sabe da minha paixão pela Alimentação Viva e crua e com o calor o meu corpo naturalmente pede saladas gigantes, coloridas, cheias de beldroegas! Em cru aproveito ao máximo as suas propriedades e a textura suculenta. Quer as folhinhas, quer os caules jovens são super tenrinhos e crocantes, com um toque ácido suave e mucilaginoso. Adoro! Combinam bem com tudo, devido ao ser sabor suave, nada invasivo. Eu gosto especialmente de juntar tomate, pepino e orégãos, entre outras plantas, silvestres e de cultivo, que crescem na horta.

Cozinhadas também são deliciosas e o sabor intensifica-se. Na nossa gastronomia temos as famosas sopas de beldroegas, típicas do Alentejo. Eu adoro sopa de beldroegas com tomate (acho que há uma simbiose especial entre os dois). Aproveitando os excedentes da horta, hoje fiz um puré de curgete com batata, cebola e alho. Já quase no final juntei as beldroegas (elas cozem muito rápido), tomatinhos, muuuiitos orégãos e azeite. Ficou uma delícia!

Também as podes juntar em arrozes, guisados, lasanhas, etc.

E tu, já usas as beldroegas? Como gostas de as consumir?

Arrozinho de urtigas!

Uhm, adoro!

Simplicidade e minimalismo de uma receita que resulta num delicioso manjar com superpoderes nutritivos!

A urtiga comum (urtica dioica) é talvez a mais famosa das PANC’s (plantas alimentícias não convencionais). É uma planta fabulosa, super versátil, com um largo historial de utilidades, não só a nível medicinal e alimentício, como também têxtil e agrícola.

Para mim é um superalimento delicioso! E incluo-a com frequência nas minhas refeições! Quer em batidos, sopas, molhos ou em arroz, como hoje!

Gosto muito destes regalos grátis, espontâneos e generosos da terra, incrivelmente ricos em nutrientes e em “prana”, e que nos trazem a memória de um modo muito ancestral, autónomo e intuitivo de alimentar-nos – a recolecção selectiva de plantas silvestres.

Elas têm a magia de aparecer de surpresa no lugar e na estação em que escolhem crescer. E deste alinhamento secreto resulta uma grande diversidade e riqueza nutricional oferecida em sintonia com os ciclos da natureza… e os nossos…

Hoje felizmente cá estamos muit@s resgatando esta prática milenar de recolecção e conexão, quase perdida devido ao desenvolvimento da indústria alimentar e farmacêutica.

A urtiga é uma das plantas silvestres mais nutritivas e mais acessíveis a qualquer um! Cresce desde o Outono ao final da Primavera, por praticamente todo o Portugal, em zonas húmidas e férteis. Este ano as chuvinhas abundantes favoreceram o contínuo crescimento de plantas tenrinhas!

É uma das maiores fontes conhecidas de “proteína verde”!! E é super rica em clorofila, em minerais (ferro, cálcio, magnésio, silício, cobre, etc), em vitaminas do complexo B, vitamina C, A… antioxidantes, fibras… tudo em perfeitas sinergias para a tonar num superalimento e medicina útil para diversas maleitas. Destaco o seu poder remineralizante, reconstituinte, anti-inflamatório e diurético, sendo muito útil no tratamento e prevenção da anemia, em temas de saúde óssea, reumatismos, em detox, no tratamento de alergias, em diversos problemas de pele, queda de cabelo, para estimular a produção de leite materno, equilibrar as hormonas, o sistema nervoso, etc.

Devemos escolher as urtigas mais jovens e menores. As urtigas adultas, em floração, são mais fibrosas e contém cistólitos, que podem irritar o trato urinário.

Podemos usá-las cruas ou em chás, sopas ou outras receitas. Em cru temos a vantagem de manter intacta a vitamina C, entre outros nutrientes. No entanto, devemos ter algumas precauções por causa da acção urticante (devido ao ácido fórmico e histamina que penetram na pele através dos pelinhos existentes nas folhas e caules). É mais prudente usá-la em sumos ou batidos ou então amassá-la antes de colocar na boca.

Contudo, a nível externo o seu carácter urticante tem surpreendentes benefícios! Na medicina naturista usa-se para activar a circulação, sobretudo nas articulações e extremidades do corpo, como tratamento para artrite, reumatismo, paralisia muscular, etc. E mais, através desses pelinhos, além do ácido fórmico e da histamina, também penetram na pele serotonina e acetilcolina!!! Portanto a acção urticante é um poderoso estímulo não só físico como químico sobre o nosso vigor! (Abstenha-se quem tiver sensibilidade à histamina ou alergia a algum dos componentes da planta)

Mas vamos à receita!

1º escolhes um arrozinho integral de grão redondo, de preferência biológico e português (temos uma excelente produção na região de Setúbal). Colocas de molho por 8 a 10hs.

2º apanhas as urtigas num local limpo (sem pesticidas, nem excrementos de animais). Escolhe as mais verdinhas e jovens, sem flores. Para não te picares o mais prático é usares luvas.

3º enxagua o arroz e leva a cozinhar no dobro da água com o lume brando. Passados uns 20 minutos juntas o sal e as urtigas (previamente lavadas) e mexes de maneira a envolvê-las bem. Passados 5 minutos apagas o fogo e deixas repousar.

Combina maravilhosamente bem com um topping de pinhões (estes vieram de pinhas também apanhadas por mim) e regado com um fio de azeite.

Se queres saber mais sobre o uso alimentício de plantas silvestres e a alimentação “plant based”, não percas o meu próximo workshop: “Plant based diet, tudo o que precias saber”

Bombons Afrodisíacos

Nas celebrações do dia dos namorados não costuma faltar o chocolate!

No entanto, o chocolate “convencional”, na maior parte das vezes, está longe de ser um alimento amoroso e afrodisíaco. Vem carregado de açúcar, leite, cacau refinado e aditivos. E lá vamos nós corromper o nosso paladar e ficar adictos de um produto que, ao invés de estimular o amor e aumentar a vibração, nos narcotiza, enfraquece e debilita.

Felizmente a procura por opções mais saudáveis, mais éticas e empoderadoras está em crescente e faz parte da prática de uma alimentação mais consciente para a qual todos estamos despertando.

Aqui vos trago então o meu contributo para uma celebração amorosa, com esta receita especial de bombons afrodisíacos, com nutrientes que activam o corpo, aquecem o coração e acendem a líbido! Para os desfrutares desde a preparação, colocando todo o teu amor como ingrediente principal.

O cacau que eu utilizo, nesta e noutras receitas, é um cacau puro, em pó, de produção biológica, classificado como “cacau cru”. No entanto, cabe dizer, nos processos artesanais de secagem dos grãos de cacau ao sol, aos quais tive o privilégio de assistir há alguns anos (@cacau0rgasmic0), é frequente a temperatura desses belos grãos negros subir bem acima dos 45º (a temperatura limite na classificação de um alimento como cru), tal o poder que têm em atrair os raios de Sol, carregando-se da sua luz e energia! Este aumento da temperatura na exposição solar não deprecia, portanto, a qualidade dos grãos, antes pelo contrário!

Bem diferente é o tratamento do cacau em pó mais comercial, em que os grãos de cacau são torrados a temperaturas elevadas, processo que faz diminuir a sua riqueza em vitaminas, minerais e antioxidantes. Para além disso, muitas vezes levam compostos químicos e a produção não está regida por critérios ecológicos e de ética laboral.

O cacau puro “cru” é considerado um dos alimentos com maior concentração de antioxidantes! Tem reconhecidas propriedades antidepressivas, revigorantes e anti-inflamatórias. É muito rico em vitaminas do grupo B, em minerais (magnésio, cobre, ferro, zinco, entre outros) e em milagrosos fitonutrientes (como a teobromina, catequinas, muitos polifenóis e a feniletilamina – a “hormona da paixão”).

Portanto, por si só, o cacau, ou “Alimento dos Deuses”, como sabiamente lhe chamavam os Aztecas, é um alimento altamente afrodisíaco. Nesta receita vamos só activar ainda mais as suas propriedades, com poderosas sinergias e formas bonitas!

E vamos então à receita!

Rawbombons afrodisíacos:

Ingredientes:

  • 80g de cacau em pó
  • 120g de manteiga de cacau
  • 50ml de agave ou 1 colher de sobremesa de stevia verde (ajusta ao teu gosto)
  • pitadinha de sal
  • pitada de açafrão em pó
  • pitada mínima de caiena em pó
  • ½ c de café de baunilha natural em pó
  • raspa de meia laranja
  • sultanas
  • amêndoas activadas (demolhadas por 10hs)
  • pétalas de Camélia

Preparação:

Amornar a manteiga de cacau em banho-maria (derrete a 35º). Juntar o sal, as especiarias e a raspa de laranja e envolver bem. Misturar o agave e o cacau em pó e mexer bem até conseguir uma textura homogénea. Colocar em formas de bombons e rechear com sultanas, amêndoas e pétalas de Camélia. Levar ao congelador por 15 minutos, et voilá!

Acompanha com um chá de gengibre com damiana!

Feliz dia de São Valentim! Muito amor!

Nota importante:  o prazer imediato promovido pelo chocolate não é suficiente para resolver problemas de vitalidade, humor e emoções. Uma alimentação saudável e variada, em que predominem os vegetais (maiormente crus) é fundamental para manter a energia e a vitalidade em alta! Assim como uma boa capacidade digestiva e de absorção para a assimilação de todos aqueles milagrosos nutrientes.

Onde comprar alimentos em contexto de confinamento?

Tenho reparado em enormes filas nas portas dos supermercados, aos sábados de manhã… dia de mercados bio ao ar livre em vários pontos da cidade de Lisboa (no Príncipe Real, no Campo Pequeno, na Feira da Ladra, no Parque das Nações, em Carcavelos, em Almada, Cascais, Loures…) e por isso, é o dia em que frequentemente me desloco a algum deles para comprar um saco cheio de hortaliças e de outros alimentos maravilhosos, viçosos, recém colhidos (no caso das hortaliças) e de produção local.

E penso… apetecia-me ir ali, à fila do supermercado, dizer a cada um e a cada uma: “Vem, hoje é dia de mercado de “alimentos-medicina”!!! E é ao ar livre e não tens (quase) fila!

Entristece-me ver aquele hábito de comprar “alimentos” processados, açucarados, contaminados, muitas vezes sem consciência de quanto nos atordoam e nos debilitam o sistema imunitário, assim como da pegada ecológica e social que têm detrás.

Que pena tantos desconhecerem ou desconsiderarem as benesses dos alimentos reais, tão maravilhosos, tão saborosos que nos dão saúde e alegria, que nos fortalecem o sistema imunitário, que fomentam o equilíbrio emocional e nos enchem de vitalidade!

Quanta saúde e empoderamento de fácil alcance porém invisibilizado…!

Muitas vezes é pelo preconceito de que os “bio” são caros! Pensamento instigado pelas sociedades capitalistas competitivas… E alinhamos nesse afã por gastar o mínimo possível na alimentação, enquanto investimos na melhor marca para objectos que não nos são essenciais.

Mas… e que sejam caros, nem é verdade! Se fizermos uma análise holística vemos que são SEMPRE mais baratos… temos um “barato” de longo prazo, economizando dinheiro e tempo em tratamentos de saúde (pois com os alimentos bio estás a apoiar o funcionamento óptimo dos teus orgãos sem sobrecarga tóxica, prevenindo problemas endócrinos, neurológicos e cancerígenos).

Por outro lado, em relação ao numerário gasto no momento, digo-te: várias/muitas vezes encontrei alguns produtos mais baratos no “bio” que no “convencional” (vegetais, castanhas, sementes, frutos secos…). 

E que outras vantagens encontro nos mercados bio?

– Não têm fila (ou muito menos que num supermercado convencional)

– Estás ao ar livre (e alguns mercados estão localizados em espaços bem bonitos e cheios de arvoredo – é um boa oportunidade para estares ao ar livre neste período com tantas restrições)

– Tens todo o tipo de vegetais, frutas, PANC’s (plantas alimentícias não convencionais), leguminosas, cereais, pão artesanal, flores, etc

– Não tens embalagens, não tens aditivos, nem rótulos com nomes estranhos!

– Só tens alimentos saudáveis, portanto não tens como comprar coisas que corrompam os teus desejos fisiológicos. Num supermercado, acabas por sentir o apelo dos alimentos processados, ricos em açúcar refinado, sal e gorduras trans. Os quais trazem toxicidade ao teu corpo, baixam a imunidade e propiciam a instabilidade emocional.

– “Poupas” em suplementos: produtos biológicos, integrais/inteiros, recém-colhidos são muito mais ricos em nutrientes 😉 vitamina C, A, carotenoides… zinco e outros minerais; quercitina, antocianinas, sulforafanos, entre outros antioxidantes; vitaminas do grupo b (incluindo a afamada b12), etc.

– Quase todos os produtos são nacionais e de proximidade (a maior parte das bancas só vende mesmo produção própria). Consumir produtos sazonais e locais traz também enormes benefícios à saúde e ao ambiente. Naturalmente, as nossas terras, nestas latitudes e nesta altura do ano, não produzem manga, tomate ou pepino, por exemplo! São necessários muitos mais recursos, ou a importação, ou o uso de hormonas e outros tóxicos para os termos nos supermercados nos meses de inverno.

– Apoias pequenos produtores, ao invés de grandes corporações. O dinheiro vai directamente para as mãos das pessoas que vês. Pessoas que trabalham a terra sem a envenenar, que cultivam em modo plural, diversificado, conhecendo os diálogos e amizades que se estabelecem entre as plantas, os insectos e os elementos…  quais guardiães da biodiversidade! 🙏💚🌎

E recorda, o teu consumo é um ato político… vota bem com o que consomes!

Como dizia Agostinho da Silva, “ Eu não quero saber das campanhas eleitorais (…) quero saber das ideias que as pessoas têm e da maneira como depois as vão defender e praticar.”

Caso não tenhas a possibilidade de te deslocar a estes belos mercados podes também fazer a encomenda de cabazes bio directamente aos produtores ou através de lojas de produtos bio.

Deixo-te o link onde te podes informar sobre os mercados bio ao ar livre:

https://agrobio.pt/contactos-produtores-mercados-agrobio/

Cuida-te! Cuida da Terra!

Dicas Detox “Pós-festas”

Iniciámos um novo ano e estamos naquela fase de colocar em prática os novos objectivos, de dar os passos que materializam os desejos lançados.

Não há dúvidas de que, individualmente, estamos a ser chamados a cuidar da nossa saúde, do nosso sistema imunitário, das nossas emoções, dos nossos pensamentos, das nossas relações e do nosso maravilhoso planeta Terra.

Gosto de relembrar que a alimentação é chave para empoderar-nos em todas essas áreas da nossa vida!

Portanto, se faz parte da tua lista de desejos para 2021:

  • ter mais saúde e mais vitalidade
  • se queres praticar uma alimentação mais sustentável, consciente e empoderadora
  • se desejas fazer mudanças nos teus hábitos alimentares, mas não sabes como começar
  • ou se queres perder peso e sentir-te melhor com o teu corpo…

… aqui te apresento umas dicas para abrires caminho a qualquer uma dessas intenções! São conselhos com um carácter “detox”, super simples e eficazes, que te ajudarão a limpar o teu organismo dos “excessos” festivos!

Toma um copo de água com limão em jejum!

Provavelmente não é novidade para ti, mas nunca é demais lembrar este hábito tão simples e benéfico pela sua acção depurativa e anti-inflamatória. Aliás, estudos recentes confirmam os benefícios desta “mezinha” no estímulo do CMM (Complexo Motor Migratório) – mecanismo responsável por limpar o trato digestivo dos resíduos de bactérias, alimentos, etc. Para tal efeito, esta bebida deve ser tomada em jejum, com água morna e deves dar um espaço mínimo de meia hora até à ingestão de alimentos. Basta meio limão, recém espremido.

Enche o prato de verde!!

Acompanha todas a tuas refeições com uma generosa salada, com especial ênfase nas folhas verdes amargas (rúcula, agrião, folhas de mostarda, radicchio, chicória, etc). Os sabores amargos, tão desconsiderados na alimentação industrializada, têm uma importante acção no estímulo às funções hepáticas e ao fluxo da bílis, apoiando a digestão e a detoxificação do organismo. Conta sempre com eles, com os amargos e todos os verdes no geral, em todas as refeições, durante todo o ano!

Repouso digestivo

Deixa o teu sistema digestivo descansar por um mínimo de 3 horas entre refeições e mínimo 12hs de noite! É essencial deixar o organismo desocupado por umas horas (ou dias, com jejuns bem planeados) das tarefas de digerir alimentos, para dar espaço a ocupar-se das funções de eliminação, reparação e regeneração. Digestões consecutivas, mesmo que com pequenas refeições ou snacks saudáveis, interrompem esses processos (nomeadamente o referido CMM ) essenciais à manutenção da saúde.

Hidrata-te bem!

É importante teres ainda mais atenção à ingestão de água, e de outros líquidos, em fases de depuração. A água deverá ser tomada fora das refeições e de preferência morna, sobretudo no inverno! E que água escolher? É um tema um pouco complexo (a desenvolver noutro artigo, futuramente), mas desde já a minha sugestão é que descubras uma nascente de água segura próxima de ti. Existem várias nas nossas Serras! Recolhida e armazenada por ti é sem dúvida a melhor opção em qualidade e sustentabilidade.

Toma infusões depurativas!

A sábia Natureza brinda-nos com muitíssimas plantas com propriedades depurativas e anti-inflamatórias adequadas para estes momentos “detox”. Algumas, talvez as mais famosas para estes fins, são bem amargas, como o cardo mariano, a alcachofra ou o dente de leão. Se para ti são difíceis de tomar podes optar pelas igualmente úteis: camomila, hortelã, urtiga, o próprio chá verde, ou chá de gengibre com limão.

Sumos Verdes

São um excelente auxílio, como aceleradores dos processos depurativos do organismo. Permitem fornecer grandes doses de vitaminas, minerais e substâncias nutracêuticas, sem quase gastares energia digestiva! Se já os conheces este é o momento de os desfrutares. O ideal é substituires o “pequeno-almoço” por um sumo verde, que tenha um efeito depurativo e uma boa concentração nutritiva. Escolhe vegetais / frutas da época e orgânicas, claro.

Deixo-te a receita de um dos meus favoritos nesta época: 2 pêras, 2 ramos de aipo, 2 folhas de couve kale/galega, 1 troço de gengibre.

E… já sabes, se queres depurar deves eliminar o açúcar, os processados, as carnes, os laticínios e os ovos… alimentos de complexa digestão, que trazem muita toxicidade, bloqueiam os orgãos emuntórios e os nossos canais energéticos.

Mais… Respira ar puro, apanha Sol, faz passeios na natureza! Solta e expressa a tuas emoções, através da escrita, da dança, da voz, da pintura… Desliga a tv! Cuida das tuas relações, com os que te rodeiam, com a Terra, com a Vida! Conecta com o amor incondicional! Sê grat@! Sê feliz!

Granola Crua

Viva, crocante e vibrante! Uma maravilhosa opção para um pequeno-almoço delicioso, saudável e mega nutritivo!

Frequentemente me perguntam por ideias para pequenos-almoços “alternativos” e saudáveis. Esta granola é a minha opção favorita para a primeira refeição do dia!

No meu percurso pela Alimentação Viva experimentei várias opções para o “desjejum” (1ª refeição depois do jejum nocturno). Desde variadíssimos sumos verdes e arco-iris a frutas inteiras, passando por pequenos-almoços mais “completos” – que, desde uma perspectiva higienista, devem ser tomados tardiamente, não antes das 10h / 11h da manhã, zelando o processo depurativo em que o nosso organismo se encontra pela manhã.

De entre esses pequenos-almoços mais “completos”, a granola viva de sarraceno conquistou-me pela variedade de texturas, potência nutritiva/energética, leveza digestiva e facilidade na preparação, transformando-se no meu predilecto e eterno pequeno-almoço crudi!

Aprendi a receita numa das aulas maravilhosas do curso do “Espiritual Chef” de Rawfood Intensivo, quando vivia em Barcelona. No entanto, a dica não veio dele, mas de uma aluna. Uma mulher jovem, com pouco mais de 30 anos, que tinha passado por um processo de doença cancerígena e que por esse motivo praticava então uma alimentação 100% crua e antinflamatória. Ela levava num tuperwere de vidro uma mistura de sarraceno activado, juntamente com algumas outras sementes activadas, maçã, curcuma em pó, pimenta preta e adoçado com stevia pura.

No meu afã por experimentar tudo o que tivesse aqueles superpoderes detoxificantes, fiz a Granola Viva (assim lhe chamo eu agora) em casa e adorei!!!

Entretanto, fui criando algumas variantes, procurando manter as suas características essênciais. E hoje foi assim:

coloquei sarraceno, sementes de linhaça e amêndoas activadas (técnica recorrente na Alimentação Viva que consiste, basicamente, em hidratar as sementes tornando-as mega-nutritivas e muito mais digestivas), stevia verde em pó, sultanas, spirulina*, um fiozinho de azeite virgem bio e romã do nosso pomar. Podes variar os frutos secos e as sementes oleaginosas (escolhe os que sejam mais locais), a fruta (não mistures muitas e procura não juntar frutas doces com ácidas) e outros condimentos. Eu vou variando entre canela, curcuma, spirulina, maçã, pêra, sementes de girassol, sementes de abóbora, avelãs, nozes, etc.

E eis um super pequeno-almoço, híper/mega saudável, nutritivo, lindo e delicioso, que te dará energia para horas “a fio”!

Se queres saber mais sobre os benefícios da Alimentação Viva e aprender a activar/germinar sementes, integrando-as em outras maravilhosas receitas, não percas o workshop de Activação e Germinação de Sementes já este domingo.

*escolhe spirulinas artesanais e de produção nacional. São muito mais ricas em nutrientes, mais sustentáveis e estás a apoiar uma economia local e consciente. Eu adoro a spirulina dos Açores e toda a equipa 5esentia!

Ressignificando a Nutrição

A nutrição é a disciplina que se encarrega de estudar o efeito dos alimentos no nosso corpo, com o objectivo de nos ajudar a suprir carências e a manter a saúde. Ela identificou nutrientes, analisou os seus papéis biológicos e as necessidades dietéticas humanas, no entanto, enquanto ciência, excluiu uma visão holística do alimento, normalizando-se o desconhecimento sobre de onde vem, como se obtém e quanto isso repercute na sua qualidade biológica e energética.

A nutrição evoluiu intensamente como ciência ao longo do século passado, num caminho aliado aos progressos da indústria alimentar, farmacêutica e ortomolecular,  desenvolvendo um programa reducionista dos alimentos, limitado à quantificação e separação de nutrientes e calorias.

Criou-se assim uma apetência por alimentos transformados, fortificados e por suplementos vitamínicos. Onde pouco ou nada contam a vitalidade, os agrotóxicos utilizados, a distâncias percorridas, o tempo de armazenamento… Basta que a embalagem mencione que tem fibra, que tem proteínas, que tem antioxidantes e que é baixo em calorias para “ficarmos” satisfeitos!

Sabemos ainda tão pouco… ou desaprendemos? Descurámos observar, cheirar os alimentos; saber quem os produz, como são produzidos, se respeitam as leis naturais, que energia integraram…

No entanto, a própria ciência também nos ajuda a reencontrar esse caminho… E graças aos avanços tecnológicos podemos hoje confirmar que os alimentos frescos e biológicos têm mais nutrientes. Podemos até medir a sua vibração através de máquinas kirlian que nos mostram a quantidade de luz presente nos alimentos. E sabemos também que o sofrimento vivido por animais de consumo fica registado nas suas células, tem uma informação química e ela passa para o organismo que a ingere.

Aliando ciência, intuição e sentido comum, trabalho com uma nutrição que não recusa os contributos da ciência sobre a bioquímica dos alimentos, mas integra aspectos relacionados com a energia/vibração dos mesmos e portanto privilegia aqueles que são locais, orgânicos e vegetais, para uma nutrição íntegra, que sana e equilibra, que beneficia amplamente todo o nosso ser, promovendo uma cura efectiva e multidimensional. Uma nutrição para o corpo e a alma (nossos e do planeta).

Se queres saber mais sobre as minhas consultas de nutrição, continue a ler aqui »

O que é a Naturopatia?

É a Medicina Natural de “todos os tempos”! Que utiliza os elementos naturais – plantas, alimentos, água, sol, terra, ar – para o tratamento e prevenção de doenças, com uma abordagem holística do indivíduo.

A medicina era una durante séculos e milénios, ou seja, era toda ela “naturista”, com variantes geográficas e culturais, mas sempre tinha por base aqueles elementos, bem como uma visão holística do ser humano. Hoje, no “mundo ocidental”, destinguimos essa medicina natural, actualmente denominada de “Naturopatia”, da medicina “convencional” ou alopática, que se caracteriza pelo tratamento baseado no sintoma, que recorre a medicamentos químicos de síntese e que centra a sua atenção na luta contra a doença, de uma forma mecânica e isolada, seguindo os critérios da industria farmacêutica.

Acompanhando a evolução dos tempos, a Naturopatia foi-se adaptando e integrando várias ferramentas e modalidades terapêuticas, sendo hoje uma medicina com grande êxito na prevenção e tratamento de variados problemas de saúde, sejam eles agudos ou crónicos. Os tratamentos naturais utilizados em naturopatia actualmente podem incluir: fitoterapia, aromaterapia, dietoterapia, suplementação ortomolecular, homeopatia, oligoterapia, banhos de floresta, hidroterapia, enemas, acupuntura, massagem, etc.

Existe um conjunto de regras – os fundamentos da Naturopatia – que devem estar sempre presentes no trabalho de qualquer naturopata, os quais deveriam ser também a base do trabalho de qualquer médico e terapeuta:

  • actuar sobre as causas da enfermidade – o propósito principal não é suprimir o sintoma, mas ir ao encontro da origem da doença;
  • tratar a pessoa de forma holística, isto é, na sua totalidade – a naturopatia não se centra na doença, mas no indivíduo, em relação com um ambiente, emoções, hábitos, alimentação, etc. Onde cada sintoma, cada órgão, cada emoção faz parte de um todo e não pode ser analisado isoladamente;
  • promover a prevenção e estimular a auto-cura inata a todos os seres, através de ferramentas que vão naturalmente fortalecer o organismo fomentando a saúde – é a “Vis Naturae Medicatrix” (via da cura natural);
  • ensinar a desenvolver uma alimentação e estilo de vida saudáveis;
  • “primum non nocere” – utilizar tratamentos naturais, não tóxicos e o menos invasivos possíveis.

Para ser naturopata estudei anatomia, fisiologia, bioquimica, nutrição, fitoterapia entre outras ciências/terapias… Ou seja, tenho um profundo conhecimento sobre o funcionamento do corpo humano e sobre diferentes técnicas de cura, o que me auxilia nesta missão de te orientar no tratamento e prevenção de doenças, respeitando as leis da Natureza e do teu organismo.

Se queres saber mais sobre as minhas consultas de naturopatia, continue a ler aqui »