Gazpacho de amoras e kombucha

Hoje improvisei um gazpacho* ao qual acrescentei amoras!!

Esta sopa fria de origem andaluza é, já por si só, uma excelente poção de antioxidantes, preparada com alguns dos alimentos mais refrescantes que o Verão oferece em superabundância: tomates, pepinos e pimentos.

As amoras além de trazerem um plus nutritivo (para saberes mais sobre as suas incríveis propriedades, vê o post anterior), dão um delicioso toque adocicado que combina divinamente com toda a mistura de ingredientes.

Outra peculiaridade desta receita é o vinagre de kombucha. Sou fã da bebida e nos últimos anos tenho feito várias experiências com as segundas fermentações e vinagres. Para quem não sabe, o vinagre de kombucha é muito simples: é simplesmente o processo natural de deixar o/os “scoby” por mais tempo no líquido que lhes preparamos… eu gosto de deixar mínimo 2 meses. Mas pode ficar muito mais tempo. Junto sempre algumas aromáticas para enriquecer o aroma e aumentar o seu potencial, tendo assim uns vinagres super medicinais para condimentar as minhas receitas!

E hoje usei, portanto, um vinagre de kombucha (de 4 meses) na preparação do gazpacho. Ao provar o resultado, e tendo como referência a memória de outros gazpachos de sabor mais ácido, senti que ficava bem aumentar esse paladar e então acrescentei um pouco de sumo de limão. E touché, ficou hiper, mega delicioso!

Vamos à receita (fiz tudo a olho, mas foi mais ou menos assim)

  • 5 tomates coração de boi (grandes e maduros)
  • 1/2 pimento verde
  • 1/2 pepino
  • 1 dente de alho grande
  • 1 cebola roxa pequenina
  • 4 C sopa de azeite
  • vinagre de kombucha (ou outro de boa qualidade) a gosto
  • sal a gosto
  • sumo de meio limão (ou a gosto)
  • 1 taça de amoras

Triturar tudo numa máquina potente (liquidificadora, bimby ou triturador) e já está! Rendeu 1200ml.

Podes tomar em copo ou em tigela. Eu prefiro esta última opção pois permite saborear mais lentamente… mmm, uma delícia! Espero que desfrutes muito, tu também, desta receita divinal!

E tu, já conhecias o gazpacho? Costumas criar algumas variações? Partilha aqui as tuas experiências!

*gosto de escrever com “z”, à andaluza 🙂

Vamos às Amoras?

Em bosques, matas e terrenos baldios, Agosto é, por excelência, o mês das Amoras! Que maravilhosa sincronicidade, que chegado o mês de maior calor e das “férias de praia”, a Natureza nos regala um super fruto com grandes poderes antioxidantes! Já sabemos (ver post anterior) que para melhorar a resistência da pele ao Sol, necessitamos fazer uma alimentação rica em antioxidantes, baseada em vegetais e frutas, com muita cor e frescura. Os alimentos silvestres têm um conteúdo superior em nutrientes e substâncias medicinais. Há pois que estar atentos e aproveitar ao máximo estes deliciosos alimentos espontâneos, as amoras, tão abundantes e fáceis de encontrar em toda a nossa geografia.

As amoras são o fruto das “nossas” silvas – planta silvestre que é da família das rosas e também ela oferece lindíssimas flores a par com pequenos espinhos. Estes arbustos são muito expansivos e facilmente assumem o controle de ruinas, criam sebes, preenchem baldios ou ocupam orlas de florestas. Para fazer a recolecção de amoras, ou de qualquer outro fruto/planta silvestre, devemos sempre escolher locais limpos e livres de pesticidas.

Esta fruta, no seu ponto de maturação, é deliciosa e tem incríveis propriedades nutricionais e medicinais!

Destacam-se por serem extremamente ricas em bioflavonoides (compostos bioativos com propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e anticancerígenas), entre eles as antocianinas, pigmento que lhes dá aquela bela cor roxa e nos pode trazer muitos benefícios na protecção frente à oxidação e degeneração celular, sendo especialmente interessante para todo o sistema circulatório sanguíneo. Além disso, nas amoras temos as antocianinas, em combinação com o ácido elágico o que oferece uma importante protecção frente certos tipos de cancro.

Outro componente interessante de destacar é o ácido salicílico – substância que funciona no nosso organismo como antiagregante plaquetário, impedindo a formação de trombos, o que, junto com os aspectos referidos acima, a torna uma medicina muito útil na prevenção de problemas cardíacos. As amoras são também muito ricas em manganésio, potássio, magnésio, cobre e ácido fólico.

O ideal é consumi-las frescas, no momento da colheita. Também se podem, contudo, fazer incríveis preparações de xaropes ou vinagres para subir a imunidade no inverno. E os mais gulosos podem desfrutar da sua grande versatilidade em compotas, bolos, etc. É uma fruta que se preserva muito bem congelada, sem ficar com as suas propriedades alteradas com o processo. Eu gosto muito também de as usar no kombucha, na 2ª fermentação. Deixo à temperatura ambiente durante 3 dias, depois filtro e guardo no frigorífico (onde pode ficar meses).

As silvas oferecem-nos alimento e medicinas não só no seu delicioso fruto como também nas folhas e até nas raízes! Estas são especialmente caracterizadas por terem propriedades adstringentes, tónicas, depurativas e ligeiramente diuréticas, e têm sido sabiamente utilizadas desde antanho no tratamento de diarreias, hemorroides, aftas, inflamação de gengivas, da garganta, em cistites, como tónico uterino, etc.

As folhas podem também ser utilizadas como hortaliça, em sopas ou guisados.

Amoras ou gojis?

As amoras silvestres ganham aos morangos, mirtilos, framboesas e até mesmo às goji, ah pois é! No que se refere ao seu poder antioxidante as bagas goji têm um valor ORAC (Capacidade de Absorção de Radicais Livres) de 3.290. No entanto, o ORAC das amoras é consideravelmente mais alto: 4.669! Então, se procuras as goji apenas pelo seu valor nutricional, já sabes que, com as amoras ficas mais bem servida no que se refere aos antioxidantes. Mas, bom, não sou eu muito fã deste tipo de análises, mas deparei-me com essa comparação e quis partilhar, pois sou uma apologista do consumo local, sazonal e da recolecção. Além de termos o suporte de estudos que confirmam os benefícios para a nossa saúde dessas escolhas (como já partilhei anteriormente), acredito também haver uma simbiose local entre a nossa biologia e a Natureza que nos rodeia, sendo mais nutridores e equilibrantes os alimentos que crescem nas nossas latitudes. E, acima de tudo, devemos ter em conta o impacto das nossas escolhas e consumir maioritariamente produtos locais ao invés de contribuir para a pegada de carbono com a adquisição de produtos que viajam milhares de km.

Por outro lado, a apanha das amoras, para além de levar-nos ao recuperar de uma tradição campestre, oferece-nos uma experiência especial de conexão com a Natureza, em que somos chamados à atenção-plena enquanto esquivamos os espinhos da silva para escolher as amoras mais suculentas… E no entretanto, vamos apreciando os frutos nos seus vários estágios de maturação e as flores em diferentes etapas floração… Tal como as abelhas, moscas, pássaros e borboletas, que por lá passam e usufruem da abundância do ofertório.

Protecção solar externa e interna

Hoje a minha partilha é sobre a minha relação com o Sol – o astro-rei – outrora adorado e hoje tão temido. Precisamos pacificar este temor e recuperar uma relação amigável e consciente com o Sol com urgência! Não só pela nossa saúde como pela saúde dos mares.  

Por isso venho falar sobre protecção solar e da minha experiência na exposição ao Sol. De como através dos alimentos podemos nutrir, embelezar e proteger a nossa pele, empoderando-nos para melhor receber o Sol e obter grandes benefícios desse contacto, entre eles a produção da famosa vitamina D.

Choca-me a normalização do uso de cremes de protecção solar. Chegar às praias e ver toda a gente a besuntar-se, independentemente da hora, com cremes cheios de químicos e cheiros artificiais.

Convencionou-se que o Sol é especialmente agressivo para um dos nossos órgãos (a pele) e que, consequentemente, toda a exposição solar deve ser mediada por cremes protectores. Ora nós não podemos centrar a nossa relação no medo e apenas nos supostos prejuízos sobre a pele, quando os benefícios gerais são tantos e extremamente vitais (num uso consciente).

Por outro lado, a pele, ou qualquer órgão, não é estanque, e para estar saudável e jovem não depende apenas de factores externos (do uso tópico de cremes, neste caso). A capacidade de protecção da nossa pele frente a agressões externas, depende de como nos nutrimos, do nosso estado emocional e até da nossa microbiota, ou seja, do nosso estado de saúde no geral. Portanto, querer proteger a pele do Sol com bloqueadores solares, não é a solução holística que o corpo pede. Mas, acima de tudo, o alerta aqui é de que esses cremes não são nada inofensivos (os convencionais, aqueles que normalmente vemos nos supermercados e farmácias) para a nossa saúde e, sobretudo para o meio-ambiente.

Perigos dos protectores solares

Existem basicamente 2 tipos de protectores solares, os filtros químicos e os filtros físicos. Os filtros químicos são os mais comuns. Necessitam ser absorvidos pela pele para se tornarem activos. Problema: contêm substâncias tóxicas e disruptores endócrinos (moléculas capazes de mimetizar as hormonas e, deste modo, alterar o funcionamento hormonal e de outros sistemas, como o sistema nervoso e o imunitário). Ora, devido à intensidade do calor durante a exposição solar, essas substâncias penetram bem profundamente e, adivinhem, aumentam o risco de cancro, nomeadamente de cancro de pele.

Depois temos os filtros físicos, que exercem una barreira física frente à radiação solar. São mais espessos e deixam uma capa branca na pele. Em alguns, para melhorar esta característica, juntam-lhes nanopartículas. Estas nanopartículas também se absorvem e podem ser prejudiciais.

Em termos ambientais, quer os filtros químicos, quer o óxido de zinco (presente na maioria dos filtros físicos) provocam o branqueamento e morte dos corais e alteram os ecossistemas marinhos.Cada ano chegam aos oceanos toneladas de protector solar… Por isso é tão importante que optemos por formas mais conscientes de relacionar-nos com o Sol… e com o nosso corpo e a Natureza!

Como me protejo?

Eu sou bem branquinha e há bem mais de 10 anos que não uso cremes protectores solares! E como me protejo do Sol?

  • Evito as horas de maior calor, evitando a exposição directa e prolongada aprox. entre as 11.30 e as 16.30. Se não puder (como por exemplo quando faço caminhadas) protejo-me com roupas claras de tecidos frescos e claro, uso também um bom chapeuzinho de abas largas a fazer sombra no rosto.

O hábito de nos estendermos imóveis numa toalha, à torreira do Sol, por horas a fio, de modo intensivo durante 1 ou 2 semanas ao ano, aquando das almejadas férias (isto depois de meses enclausurados em espaços de trabalho onde a luz eléctrica é a que marca a regência), nada tem a ver com a nossa programação biológica e experiência milenar de relação com o Sol. Noutros tempos, trabalhava-se e vivia-se mais no exterior, desenvolvia-se um hábito de relação com o Sol e sabiamente se recorria a panos e roupas para proteger nas horas mais abrasantes, caso não fosse possível o recolhimento.

  • Não uso óculos de Sol – a ilusão de escuridão que é dada ao cérebro, faz com que a pele anule certos mecanismos inatos de protecção (que se activam quando através da visão nos chega a informação de elevada intensidade de luz).
  • Cuidados externos da pele – o meu “creme protector” solar preferido é o óleo de côco (spf 5-8). Costumo usá-lo quando sei que vou estar mais de meia hora exposta ao Sol, mas claro, mal se aproximam as horas pico, retiro-me ou visto um blusa fina de manga comprida e procuro sombra. A par do óleo de côco, uso com frequência o gel de aloé vera e outros óleos vegetais (entre eles um bom azeitinho) na hidratação da minha pele depois da exposição solar. Ao contrario dos protectores convencionais, o óleo de côco não impede a formação de vit D.
  • Protecção solar interna: eis a chave! O que considero que realmente torna a minha pele resistente ao Sol é a alimentação naturalmente rica em antioxidantes que pratico. Recordo-me como antigamente era frequente apanhar escaldões, inclusive usando cremes protectores solares. Com o melhorar dos meus hábitos alimentares e de vida, essas situações acabaram!

Protecção solar através da alimentação

Podemos, pois aumentar de maneira funcional o consumo de certos alimentos que podem atuar como proteção solar natural, ajudando a proteger a pele de queimaduras e dos danos que podem levar ao cancro de pele. Por outro lado, evitar os que são pró-oxidativos, inflamatórios e que desidratam (açúcares, álcool, fritos, refinados, laticínios, produtos cárnicos, etc.)

A Natureza, tão sábia, está aí, gerando em abundância aqueles alimentos refrescantes e cheios de cor que protegem dos danos oxidativos do Sol. Especialmente no Verão ela presenteia-nos com uma variedade de alimentos riquíssimos em vitaminas e minerais, com propriedades antioxidantes que reduzem a inflamação e protegem da degeneração celular. Frutas e vegetais devem, primeiro requisito, ser escolhidos tendo em conta o modo de produção (sem agrotóxicos) e a sazonalidade – de modo a garantir essas caraterísticas.

Não vou criar aqui uma lista exaustiva com a composição e propriedades de alimentos, o que quero acima de tudo transmitir, é que a solução não está num superalimento milagroso, mas no conjunto da dieta e de hábitos.

Então, resumindo, para proteger pele dos radicais livres e do cancro devemos aumentar a quantidade de alimentos crus e coloridos, ricos em água, enzimas, vitaminas A, C e E. Temos no Verão uma variedade incrível de frutas e vegetais com essas características. Desde as melancias, aos pêssegos, amoras, uvas (não descures as grainhas), pepinos, tomates, cenouras, etc. Vegetais de folhas verdes escuras e germinados, também devem estar sempre presentes. Gorduras também, mas de qualidade (vegetais, não refinadas, em cru). Encontramo-las em sementes, frutos secos, azeite. E não esquecer ainda a ervas aromáticas e especiarias sempre com tantas propriedades antioxidantes e anticancerígenas (alecrim, orégãos, manjericão, hortelã, hibiscos, curcuma, etc).

Já sabes! Enche a lancheira de frutas coloridas (não valem sumos), água mineral e uns bons refrescos de ervas!

O Sol não provoca cancro! O cancro de pele é derivado de uma combinação de factores, que criam vulnerabilidades na pele. Uma dieta pro-inflamatória e pobre em antioxidantes, juntamente com uma exposição excessiva e outros factores disruptores (cremes, contaminação, stress) aumentam as probabilidades.

E não esquecer, necessitamos o contacto directo do Sol na pele para produzir vitamina D, um dos maiores remédios anti-cancerígenos!

Fontes:

https://www.bcpp.org/our-work/core-science/

https://www.ewg.org/

https://www.naturalnews.com/055127_sunscreen_ingredients_cancer_chemicals_vitamin_D.html

https://www.naturalnews.com/032815_sunscreen_chemicals.html

Beldroegas

No Verão estas bonitas folhinhas carnudas recheiam os meus pratos. E este ano são da minha horta! Estou tão feliz por ver os belos mandalas de beldroegas crescendo por aqui, de forma espontânea, com tanta força e abundância! Um valioso regalo, reflexo de que o solo agora tem mais vida, graças ao carinho e nutrição que lhe temos dado.

Eu vibro muito com tudo o que cresce assim, de forma espontânea, de Graça… além da magia inerente à surpresa, da rebeldia na forma da aparição e da força vital que trazem, as plantas silvestres comestíveis têm um poder nutricional incrível, que é, de um modo geral, superior ao das cultivadas!

E penso cá para mim… acho que é “pecado” não as comermos e não usufruirmos destes regalos divinos em forma de “superalimento”…

Temos o direito e o dever de recuperar a relação com as plantas silvestres comestíveis e medicinais, apesar de desconsideradas na sociedade industrial capitalista. Elas fazem parte da nossa cultura e humanidade e trazem respostas e soluções para muitos problemas actuais…

Se vives na cidade também as encontras, às beldroegas e outras bravias, quer em jardins, quer por entre as pedras das calçadas, em fendas de paredes ou até mesmo nas fissuras do alcatrão, de onde conseguem irromper, qual manifesto de vida e beleza, materializando diálogos secretos entre os elementos e recordando-nos a resiliência eterna da mãe Natureza. Contempla-as mas não as consumas (estas dos espaços públicos urbanos), pois podem estar contaminadas por venenos ou dejectos de animais. É melhor fazer um passeio por hortas, jardins e bosques onde saibamos que estão limpas.

Felizmente o interesse pelas PANC’s (Plantas Alimentícias Não Convencionais) está em expansão e é frequente encontrá-las à venda nos mercados de produtores biológicos – no Príncipe Real, Campo Grande, Feira da Ladra, etc –  (quando vivia em Lisboa era lá que ia comprar)

As beldroegas (Portulaca oleracea) dão-se especialmente bem em hortas, a par com as hortícolas, onde usufruem das regas abundantes destinadas a estas e da fertilidade do solo. As suas sementes são minúsculas e cada planta gera milhares, que depois podem permanecer viáveis ​​no solo por décadas! Ao encontrarem as condições ideais, lá para finais de Maio, as mais bravias começam a brotar e as suas folhinhas vão-se expandindo, com geometrias estrelares, criando belos tapetes em “horror vacui”.

Sou muito grata pela abundância desta plantinha aqui na terra! Elas são daqueles superalimentos com inúmeras propriedades, além de que têm um sabor e textura maravilhosos!

São uma das plantas mais ricas em Omega 3. Alguns investigadores referem mesmo que tem DHA (ácido gordo essencial, da família Omega 3, com grande poder antinflamatório e antioxidante, sobretudo a nível cerebral e do sistema nervoso) nos rebentos tenros, algo que parece ser inédito numa planta de terra (algumas algas marinhas e peixe azul são as fontes de que se tem conhecimento).

Têm também grande quantidade de compostos antioxidantes: como a vit. E, C, betacarotenos, flavonoides… E vários minerais importantes, incluindo potássio, magnésio e cálcio.

Estas características fazem dela uma planta com importantes propriedades antinflamatórias e excelente para o fortalecimento imunitário. É também muito interessante como diurética e digestiva – devido aos mucílagos, é óptima como calmante a nível das mucosas digestivas e das vias urinárias. Essas propriedades emolientes também têm utilidade a nível externo em situações de queimaduras e outras irritações de diversas etiologias.

Como consumir:

As possibilidades são infinitas pois toda a planta é deliciosa e comestível (inclusive as sementes). Quem já me conhece sabe da minha paixão pela Alimentação Viva e crua e com o calor o meu corpo naturalmente pede saladas gigantes, coloridas, cheias de beldroegas! Em cru aproveito ao máximo as suas propriedades e a textura suculenta. Quer as folhinhas, quer os caules jovens são super tenrinhos e crocantes, com um toque ácido suave e mucilaginoso. Adoro! Combinam bem com tudo, devido ao ser sabor suave, nada invasivo. Eu gosto especialmente de juntar tomate, pepino e orégãos, entre outras plantas, silvestres e de cultivo, que crescem na horta.

Cozinhadas também são deliciosas e o sabor intensifica-se. Na nossa gastronomia temos as famosas sopas de beldroegas, típicas do Alentejo. Eu adoro sopa de beldroegas com tomate (acho que há uma simbiose especial entre os dois). Aproveitando os excedentes da horta, hoje fiz um puré de curgete com batata, cebola e alho. Já quase no final juntei as beldroegas (elas cozem muito rápido), tomatinhos, muuuiitos orégãos e azeite. Ficou uma delícia!

Também as podes juntar em arrozes, guisados, lasanhas, etc.

E tu, já usas as beldroegas? Como gostas de as consumir?

Arrozinho de urtigas!

Uhm, adoro!

Simplicidade e minimalismo de uma receita que resulta num delicioso manjar com superpoderes nutritivos!

A urtiga comum (urtica dioica) é talvez a mais famosa das PANC’s (plantas alimentícias não convencionais). É uma planta fabulosa, super versátil, com um largo historial de utilidades, não só a nível medicinal e alimentício, como também têxtil e agrícola.

Para mim é um superalimento delicioso! E incluo-a com frequência nas minhas refeições! Quer em batidos, sopas, molhos ou em arroz, como hoje!

Gosto muito destes regalos grátis, espontâneos e generosos da terra, incrivelmente ricos em nutrientes e em “prana”, e que nos trazem a memória de um modo muito ancestral, autónomo e intuitivo de alimentar-nos – a recolecção selectiva de plantas silvestres.

Elas têm a magia de aparecer de surpresa no lugar e na estação em que escolhem crescer. E deste alinhamento secreto resulta uma grande diversidade e riqueza nutricional oferecida em sintonia com os ciclos da natureza… e os nossos…

Hoje felizmente cá estamos muit@s resgatando esta prática milenar de recolecção e conexão, quase perdida devido ao desenvolvimento da indústria alimentar e farmacêutica.

A urtiga é uma das plantas silvestres mais nutritivas e mais acessíveis a qualquer um! Cresce desde o Outono ao final da Primavera, por praticamente todo o Portugal, em zonas húmidas e férteis. Este ano as chuvinhas abundantes favoreceram o contínuo crescimento de plantas tenrinhas!

É uma das maiores fontes conhecidas de “proteína verde”!! E é super rica em clorofila, em minerais (ferro, cálcio, magnésio, silício, cobre, etc), em vitaminas do complexo B, vitamina C, A… antioxidantes, fibras… tudo em perfeitas sinergias para a tonar num superalimento e medicina útil para diversas maleitas. Destaco o seu poder remineralizante, reconstituinte, anti-inflamatório e diurético, sendo muito útil no tratamento e prevenção da anemia, em temas de saúde óssea, reumatismos, em detox, no tratamento de alergias, em diversos problemas de pele, queda de cabelo, para estimular a produção de leite materno, equilibrar as hormonas, o sistema nervoso, etc.

Devemos escolher as urtigas mais jovens e menores. As urtigas adultas, em floração, são mais fibrosas e contém cistólitos, que podem irritar o trato urinário.

Podemos usá-las cruas ou em chás, sopas ou outras receitas. Em cru temos a vantagem de manter intacta a vitamina C, entre outros nutrientes. No entanto, devemos ter algumas precauções por causa da acção urticante (devido ao ácido fórmico e histamina que penetram na pele através dos pelinhos existentes nas folhas e caules). É mais prudente usá-la em sumos ou batidos ou então amassá-la antes de colocar na boca.

Contudo, a nível externo o seu carácter urticante tem surpreendentes benefícios! Na medicina naturista usa-se para activar a circulação, sobretudo nas articulações e extremidades do corpo, como tratamento para artrite, reumatismo, paralisia muscular, etc. E mais, através desses pelinhos, além do ácido fórmico e da histamina, também penetram na pele serotonina e acetilcolina!!! Portanto a acção urticante é um poderoso estímulo não só físico como químico sobre o nosso vigor! (Abstenha-se quem tiver sensibilidade à histamina ou alergia a algum dos componentes da planta)

Mas vamos à receita!

1º escolhes um arrozinho integral de grão redondo, de preferência biológico e português (temos uma excelente produção na região de Setúbal). Colocas de molho por 8 a 10hs.

2º apanhas as urtigas num local limpo (sem pesticidas, nem excrementos de animais). Escolhe as mais verdinhas e jovens, sem flores. Para não te picares o mais prático é usares luvas.

3º enxagua o arroz e leva a cozinhar no dobro da água com o lume brando. Passados uns 20 minutos juntas o sal e as urtigas (previamente lavadas) e mexes de maneira a envolvê-las bem. Passados 5 minutos apagas o fogo e deixas repousar.

Combina maravilhosamente bem com um topping de pinhões (estes vieram de pinhas também apanhadas por mim) e regado com um fio de azeite.

Se queres saber mais sobre o uso alimentício de plantas silvestres e a alimentação “plant based”, não percas o meu próximo workshop: “Plant based diet, tudo o que precias saber”

Bombons Afrodisíacos

Nas celebrações do dia dos namorados não costuma faltar o chocolate!

No entanto, o chocolate “convencional”, na maior parte das vezes, está longe de ser um alimento amoroso e afrodisíaco. Vem carregado de açúcar, leite, cacau refinado e aditivos. E lá vamos nós corromper o nosso paladar e ficar adictos de um produto que, ao invés de estimular o amor e aumentar a vibração, nos narcotiza, enfraquece e debilita.

Felizmente a procura por opções mais saudáveis, mais éticas e empoderadoras está em crescente e faz parte da prática de uma alimentação mais consciente para a qual todos estamos despertando.

Aqui vos trago então o meu contributo para uma celebração amorosa, com esta receita especial de bombons afrodisíacos, com nutrientes que activam o corpo, aquecem o coração e acendem a líbido! Para os desfrutares desde a preparação, colocando todo o teu amor como ingrediente principal.

O cacau que eu utilizo, nesta e noutras receitas, é um cacau puro, em pó, de produção biológica, classificado como “cacau cru”. No entanto, cabe dizer, nos processos artesanais de secagem dos grãos de cacau ao sol, aos quais tive o privilégio de assistir há alguns anos (@cacau0rgasmic0), é frequente a temperatura desses belos grãos negros subir bem acima dos 45º (a temperatura limite na classificação de um alimento como cru), tal o poder que têm em atrair os raios de Sol, carregando-se da sua luz e energia! Este aumento da temperatura na exposição solar não deprecia, portanto, a qualidade dos grãos, antes pelo contrário!

Bem diferente é o tratamento do cacau em pó mais comercial, em que os grãos de cacau são torrados a temperaturas elevadas, processo que faz diminuir a sua riqueza em vitaminas, minerais e antioxidantes. Para além disso, muitas vezes levam compostos químicos e a produção não está regida por critérios ecológicos e de ética laboral.

O cacau puro “cru” é considerado um dos alimentos com maior concentração de antioxidantes! Tem reconhecidas propriedades antidepressivas, revigorantes e anti-inflamatórias. É muito rico em vitaminas do grupo B, em minerais (magnésio, cobre, ferro, zinco, entre outros) e em milagrosos fitonutrientes (como a teobromina, catequinas, muitos polifenóis e a feniletilamina – a “hormona da paixão”).

Portanto, por si só, o cacau, ou “Alimento dos Deuses”, como sabiamente lhe chamavam os Aztecas, é um alimento altamente afrodisíaco. Nesta receita vamos só activar ainda mais as suas propriedades, com poderosas sinergias e formas bonitas!

E vamos então à receita!

Rawbombons afrodisíacos:

Ingredientes:

  • 80g de cacau em pó
  • 120g de manteiga de cacau
  • 50ml de agave ou 1 colher de sobremesa de stevia verde (ajusta ao teu gosto)
  • pitadinha de sal
  • pitada de açafrão em pó
  • pitada mínima de caiena em pó
  • ½ c de café de baunilha natural em pó
  • raspa de meia laranja
  • sultanas
  • amêndoas activadas (demolhadas por 10hs)
  • pétalas de Camélia

Preparação:

Amornar a manteiga de cacau em banho-maria (derrete a 35º). Juntar o sal, as especiarias e a raspa de laranja e envolver bem. Misturar o agave e o cacau em pó e mexer bem até conseguir uma textura homogénea. Colocar em formas de bombons e rechear com sultanas, amêndoas e pétalas de Camélia. Levar ao congelador por 15 minutos, et voilá!

Acompanha com um chá de gengibre com damiana!

Feliz dia de São Valentim! Muito amor!

Nota importante:  o prazer imediato promovido pelo chocolate não é suficiente para resolver problemas de vitalidade, humor e emoções. Uma alimentação saudável e variada, em que predominem os vegetais (maiormente crus) é fundamental para manter a energia e a vitalidade em alta! Assim como uma boa capacidade digestiva e de absorção para a assimilação de todos aqueles milagrosos nutrientes.

Onde comprar alimentos em contexto de confinamento?

Tenho reparado em enormes filas nas portas dos supermercados, aos sábados de manhã… dia de mercados bio ao ar livre em vários pontos da cidade de Lisboa (no Príncipe Real, no Campo Pequeno, na Feira da Ladra, no Parque das Nações, em Carcavelos, em Almada, Cascais, Loures…) e por isso, é o dia em que frequentemente me desloco a algum deles para comprar um saco cheio de hortaliças e de outros alimentos maravilhosos, viçosos, recém colhidos (no caso das hortaliças) e de produção local.

E penso… apetecia-me ir ali, à fila do supermercado, dizer a cada um e a cada uma: “Vem, hoje é dia de mercado de “alimentos-medicina”!!! E é ao ar livre e não tens (quase) fila!

Entristece-me ver aquele hábito de comprar “alimentos” processados, açucarados, contaminados, muitas vezes sem consciência de quanto nos atordoam e nos debilitam o sistema imunitário, assim como da pegada ecológica e social que têm detrás.

Que pena tantos desconhecerem ou desconsiderarem as benesses dos alimentos reais, tão maravilhosos, tão saborosos que nos dão saúde e alegria, que nos fortalecem o sistema imunitário, que fomentam o equilíbrio emocional e nos enchem de vitalidade!

Quanta saúde e empoderamento de fácil alcance porém invisibilizado…!

Muitas vezes é pelo preconceito de que os “bio” são caros! Pensamento instigado pelas sociedades capitalistas competitivas… E alinhamos nesse afã por gastar o mínimo possível na alimentação, enquanto investimos na melhor marca para objectos que não nos são essenciais.

Mas… e que sejam caros, nem é verdade! Se fizermos uma análise holística vemos que são SEMPRE mais baratos… temos um “barato” de longo prazo, economizando dinheiro e tempo em tratamentos de saúde (pois com os alimentos bio estás a apoiar o funcionamento óptimo dos teus orgãos sem sobrecarga tóxica, prevenindo problemas endócrinos, neurológicos e cancerígenos).

Por outro lado, em relação ao numerário gasto no momento, digo-te: várias/muitas vezes encontrei alguns produtos mais baratos no “bio” que no “convencional” (vegetais, castanhas, sementes, frutos secos…). 

E que outras vantagens encontro nos mercados bio?

– Não têm fila (ou muito menos que num supermercado convencional)

– Estás ao ar livre (e alguns mercados estão localizados em espaços bem bonitos e cheios de arvoredo – é um boa oportunidade para estares ao ar livre neste período com tantas restrições)

– Tens todo o tipo de vegetais, frutas, PANC’s (plantas alimentícias não convencionais), leguminosas, cereais, pão artesanal, flores, etc

– Não tens embalagens, não tens aditivos, nem rótulos com nomes estranhos!

– Só tens alimentos saudáveis, portanto não tens como comprar coisas que corrompam os teus desejos fisiológicos. Num supermercado, acabas por sentir o apelo dos alimentos processados, ricos em açúcar refinado, sal e gorduras trans. Os quais trazem toxicidade ao teu corpo, baixam a imunidade e propiciam a instabilidade emocional.

– “Poupas” em suplementos: produtos biológicos, integrais/inteiros, recém-colhidos são muito mais ricos em nutrientes 😉 vitamina C, A, carotenoides… zinco e outros minerais; quercitina, antocianinas, sulforafanos, entre outros antioxidantes; vitaminas do grupo b (incluindo a afamada b12), etc.

– Quase todos os produtos são nacionais e de proximidade (a maior parte das bancas só vende mesmo produção própria). Consumir produtos sazonais e locais traz também enormes benefícios à saúde e ao ambiente. Naturalmente, as nossas terras, nestas latitudes e nesta altura do ano, não produzem manga, tomate ou pepino, por exemplo! São necessários muitos mais recursos, ou a importação, ou o uso de hormonas e outros tóxicos para os termos nos supermercados nos meses de inverno.

– Apoias pequenos produtores, ao invés de grandes corporações. O dinheiro vai directamente para as mãos das pessoas que vês. Pessoas que trabalham a terra sem a envenenar, que cultivam em modo plural, diversificado, conhecendo os diálogos e amizades que se estabelecem entre as plantas, os insectos e os elementos…  quais guardiães da biodiversidade! 🙏💚🌎

E recorda, o teu consumo é um ato político… vota bem com o que consomes!

Como dizia Agostinho da Silva, “ Eu não quero saber das campanhas eleitorais (…) quero saber das ideias que as pessoas têm e da maneira como depois as vão defender e praticar.”

Caso não tenhas a possibilidade de te deslocar a estes belos mercados podes também fazer a encomenda de cabazes bio directamente aos produtores ou através de lojas de produtos bio.

Deixo-te o link onde te podes informar sobre os mercados bio ao ar livre:

https://agrobio.pt/contactos-produtores-mercados-agrobio/

Cuida-te! Cuida da Terra!

Dicas Detox “Pós-festas”

Iniciámos um novo ano e estamos naquela fase de colocar em prática os novos objectivos, de dar os passos que materializam os desejos lançados.

Não há dúvidas de que, individualmente, estamos a ser chamados a cuidar da nossa saúde, do nosso sistema imunitário, das nossas emoções, dos nossos pensamentos, das nossas relações e do nosso maravilhoso planeta Terra.

Gosto de relembrar que a alimentação é chave para empoderar-nos em todas essas áreas da nossa vida!

Portanto, se faz parte da tua lista de desejos para 2021:

  • ter mais saúde e mais vitalidade
  • se queres praticar uma alimentação mais sustentável, consciente e empoderadora
  • se desejas fazer mudanças nos teus hábitos alimentares, mas não sabes como começar
  • ou se queres perder peso e sentir-te melhor com o teu corpo…

… aqui te apresento umas dicas para abrires caminho a qualquer uma dessas intenções! São conselhos com um carácter “detox”, super simples e eficazes, que te ajudarão a limpar o teu organismo dos “excessos” festivos!

Toma um copo de água com limão em jejum!

Provavelmente não é novidade para ti, mas nunca é demais lembrar este hábito tão simples e benéfico pela sua acção depurativa e anti-inflamatória. Aliás, estudos recentes confirmam os benefícios desta “mezinha” no estímulo do CMM (Complexo Motor Migratório) – mecanismo responsável por limpar o trato digestivo dos resíduos de bactérias, alimentos, etc. Para tal efeito, esta bebida deve ser tomada em jejum, com água morna e deves dar um espaço mínimo de meia hora até à ingestão de alimentos. Basta meio limão, recém espremido.

Enche o prato de verde!!

Acompanha todas a tuas refeições com uma generosa salada, com especial ênfase nas folhas verdes amargas (rúcula, agrião, folhas de mostarda, radicchio, chicória, etc). Os sabores amargos, tão desconsiderados na alimentação industrializada, têm uma importante acção no estímulo às funções hepáticas e ao fluxo da bílis, apoiando a digestão e a detoxificação do organismo. Conta sempre com eles, com os amargos e todos os verdes no geral, em todas as refeições, durante todo o ano!

Repouso digestivo

Deixa o teu sistema digestivo descansar por um mínimo de 3 horas entre refeições e mínimo 12hs de noite! É essencial deixar o organismo desocupado por umas horas (ou dias, com jejuns bem planeados) das tarefas de digerir alimentos, para dar espaço a ocupar-se das funções de eliminação, reparação e regeneração. Digestões consecutivas, mesmo que com pequenas refeições ou snacks saudáveis, interrompem esses processos (nomeadamente o referido CMM ) essenciais à manutenção da saúde.

Hidrata-te bem!

É importante teres ainda mais atenção à ingestão de água, e de outros líquidos, em fases de depuração. A água deverá ser tomada fora das refeições e de preferência morna, sobretudo no inverno! E que água escolher? É um tema um pouco complexo (a desenvolver noutro artigo, futuramente), mas desde já a minha sugestão é que descubras uma nascente de água segura próxima de ti. Existem várias nas nossas Serras! Recolhida e armazenada por ti é sem dúvida a melhor opção em qualidade e sustentabilidade.

Toma infusões depurativas!

A sábia Natureza brinda-nos com muitíssimas plantas com propriedades depurativas e anti-inflamatórias adequadas para estes momentos “detox”. Algumas, talvez as mais famosas para estes fins, são bem amargas, como o cardo mariano, a alcachofra ou o dente de leão. Se para ti são difíceis de tomar podes optar pelas igualmente úteis: camomila, hortelã, urtiga, o próprio chá verde, ou chá de gengibre com limão.

Sumos Verdes

São um excelente auxílio, como aceleradores dos processos depurativos do organismo. Permitem fornecer grandes doses de vitaminas, minerais e substâncias nutracêuticas, sem quase gastares energia digestiva! Se já os conheces este é o momento de os desfrutares. O ideal é substituires o “pequeno-almoço” por um sumo verde, que tenha um efeito depurativo e uma boa concentração nutritiva. Escolhe vegetais / frutas da época e orgânicas, claro.

Deixo-te a receita de um dos meus favoritos nesta época: 2 pêras, 2 ramos de aipo, 2 folhas de couve kale/galega, 1 troço de gengibre.

E… já sabes, se queres depurar deves eliminar o açúcar, os processados, as carnes, os laticínios e os ovos… alimentos de complexa digestão, que trazem muita toxicidade, bloqueiam os orgãos emuntórios e os nossos canais energéticos.

Mais… Respira ar puro, apanha Sol, faz passeios na natureza! Solta e expressa a tuas emoções, através da escrita, da dança, da voz, da pintura… Desliga a tv! Cuida das tuas relações, com os que te rodeiam, com a Terra, com a Vida! Conecta com o amor incondicional! Sê grat@! Sê feliz!

Granola Crua

Viva, crocante e vibrante! Uma maravilhosa opção para um pequeno-almoço delicioso, saudável e mega nutritivo!

Frequentemente me perguntam por ideias para pequenos-almoços “alternativos” e saudáveis. Esta granola é a minha opção favorita para a primeira refeição do dia!

No meu percurso pela Alimentação Viva experimentei várias opções para o “desjejum” (1ª refeição depois do jejum nocturno). Desde variadíssimos sumos verdes e arco-iris a frutas inteiras, passando por pequenos-almoços mais “completos” – que, desde uma perspectiva higienista, devem ser tomados tardiamente, não antes das 10h / 11h da manhã, zelando o processo depurativo em que o nosso organismo se encontra pela manhã.

De entre esses pequenos-almoços mais “completos”, a granola viva de sarraceno conquistou-me pela variedade de texturas, potência nutritiva/energética, leveza digestiva e facilidade na preparação, transformando-se no meu predilecto e eterno pequeno-almoço crudi!

Aprendi a receita numa das aulas maravilhosas do curso do “Espiritual Chef” de Rawfood Intensivo, quando vivia em Barcelona. No entanto, a dica não veio dele, mas de uma aluna. Uma mulher jovem, com pouco mais de 30 anos, que tinha passado por um processo de doença cancerígena e que por esse motivo praticava então uma alimentação 100% crua e antinflamatória. Ela levava num tuperwere de vidro uma mistura de sarraceno activado, juntamente com algumas outras sementes activadas, maçã, curcuma em pó, pimenta preta e adoçado com stevia pura.

No meu afã por experimentar tudo o que tivesse aqueles superpoderes detoxificantes, fiz a Granola Viva (assim lhe chamo eu agora) em casa e adorei!!!

Entretanto, fui criando algumas variantes, procurando manter as suas características essênciais. E hoje foi assim:

coloquei sarraceno, sementes de linhaça e amêndoas activadas (técnica recorrente na Alimentação Viva que consiste, basicamente, em hidratar as sementes tornando-as mega-nutritivas e muito mais digestivas), stevia verde em pó, sultanas, spirulina*, um fiozinho de azeite virgem bio e romã do nosso pomar. Podes variar os frutos secos e as sementes oleaginosas (escolhe os que sejam mais locais), a fruta (não mistures muitas e procura não juntar frutas doces com ácidas) e outros condimentos. Eu vou variando entre canela, curcuma, spirulina, maçã, pêra, sementes de girassol, sementes de abóbora, avelãs, nozes, etc.

E eis um super pequeno-almoço, híper/mega saudável, nutritivo, lindo e delicioso, que te dará energia para horas “a fio”!

Se queres saber mais sobre os benefícios da Alimentação Viva e aprender a activar/germinar sementes, integrando-as em outras maravilhosas receitas, não percas o workshop de Activação e Germinação de Sementes já este domingo.

*escolhe spirulinas artesanais e de produção nacional. São muito mais ricas em nutrientes, mais sustentáveis e estás a apoiar uma economia local e consciente. Eu adoro a spirulina dos Açores e toda a equipa 5esentia!

Ressignificando a Nutrição

A nutrição é a disciplina que se encarrega de estudar o efeito dos alimentos no nosso corpo, com o objectivo de nos ajudar a suprir carências e a manter a saúde. Ela identificou nutrientes, analisou os seus papéis biológicos e as necessidades dietéticas humanas, no entanto, enquanto ciência, excluiu uma visão holística do alimento, normalizando-se o desconhecimento sobre de onde vem, como se obtém e quanto isso repercute na sua qualidade biológica e energética.

A nutrição evoluiu intensamente como ciência ao longo do século passado, num caminho aliado aos progressos da indústria alimentar, farmacêutica e ortomolecular,  desenvolvendo um programa reducionista dos alimentos, limitado à quantificação e separação de nutrientes e calorias.

Criou-se assim uma apetência por alimentos transformados, fortificados e por suplementos vitamínicos. Onde pouco ou nada contam a vitalidade, os agrotóxicos utilizados, a distâncias percorridas, o tempo de armazenamento… Basta que a embalagem mencione que tem fibra, que tem proteínas, que tem antioxidantes e que é baixo em calorias para “ficarmos” satisfeitos!

Sabemos ainda tão pouco… ou desaprendemos? Descurámos observar, cheirar os alimentos; saber quem os produz, como são produzidos, se respeitam as leis naturais, que energia integraram…

No entanto, a própria ciência também nos ajuda a reencontrar esse caminho… E graças aos avanços tecnológicos podemos hoje confirmar que os alimentos frescos e biológicos têm mais nutrientes. Podemos até medir a sua vibração através de máquinas kirlian que nos mostram a quantidade de luz presente nos alimentos. E sabemos também que o sofrimento vivido por animais de consumo fica registado nas suas células, tem uma informação química e ela passa para o organismo que a ingere.

Aliando ciência, intuição e sentido comum, trabalho com uma nutrição que não recusa os contributos da ciência sobre a bioquímica dos alimentos, mas integra aspectos relacionados com a energia/vibração dos mesmos e portanto privilegia aqueles que são locais, orgânicos e vegetais, para uma nutrição íntegra, que sana e equilibra, que beneficia amplamente todo o nosso ser, promovendo uma cura efectiva e multidimensional. Uma nutrição para o corpo e a alma (nossos e do planeta).

Se queres saber mais sobre as minhas consultas de nutrição, continue a ler aqui »