Arrozinho de urtigas!

Uhm, adoro!

Simplicidade e minimalismo de uma receita que resulta num delicioso manjar com superpoderes nutritivos!

A urtiga comum (urtica dioica) é talvez a mais famosa das PANC’s (plantas alimentícias não convencionais). É uma planta fabulosa, super versátil, com um largo historial de utilidades, não só a nível medicinal e alimentício, como também têxtil e agrícola.

Para mim é um superalimento delicioso! E incluo-a com frequência nas minhas refeições! Quer em batidos, sopas, molhos ou em arroz, como hoje!

Gosto muito destes regalos grátis, espontâneos e generosos da terra, incrivelmente ricos em nutrientes e em “prana”, e que nos trazem a memória de um modo muito ancestral, autónomo e intuitivo de alimentar-nos – a recolecção selectiva de plantas silvestres.

Elas têm a magia de aparecer de surpresa no lugar e na estação em que escolhem crescer. E deste alinhamento secreto resulta uma grande diversidade e riqueza nutricional oferecida em sintonia com os ciclos da natureza… e os nossos…

Hoje felizmente cá estamos muit@s resgatando esta prática milenar de recolecção e conexão, quase perdida devido ao desenvolvimento da indústria alimentar e farmacêutica.

A urtiga é uma das plantas silvestres mais nutritivas e mais acessíveis a qualquer um! Cresce desde o Outono ao final da Primavera, por praticamente todo o Portugal, em zonas húmidas e férteis. Este ano as chuvinhas abundantes favoreceram o contínuo crescimento de plantas tenrinhas!

É uma das maiores fontes conhecidas de “proteína verde”!! E é super rica em clorofila, em minerais (ferro, cálcio, magnésio, silício, cobre, etc), em vitaminas do complexo B, vitamina C, A… antioxidantes, fibras… tudo em perfeitas sinergias para a tonar num superalimento e medicina útil para diversas maleitas. Destaco o seu poder remineralizante, reconstituinte, anti-inflamatório e diurético, sendo muito útil no tratamento e prevenção da anemia, em temas de saúde óssea, reumatismos, em detox, no tratamento de alergias, em diversos problemas de pele, queda de cabelo, para estimular a produção de leite materno, equilibrar as hormonas, o sistema nervoso, etc.

Devemos escolher as urtigas mais jovens e menores. As urtigas adultas, em floração, são mais fibrosas e contém cistólitos, que podem irritar o trato urinário.

Podemos usá-las cruas ou em chás, sopas ou outras receitas. Em cru temos a vantagem de manter intacta a vitamina C, entre outros nutrientes. No entanto, devemos ter algumas precauções por causa da acção urticante (devido ao ácido fórmico e histamina que penetram na pele através dos pelinhos existentes nas folhas e caules). É mais prudente usá-la em sumos ou batidos ou então amassá-la antes de colocar na boca.

Contudo, a nível externo o seu carácter urticante tem surpreendentes benefícios! Na medicina naturista usa-se para activar a circulação, sobretudo nas articulações e extremidades do corpo, como tratamento para artrite, reumatismo, paralisia muscular, etc. E mais, através desses pelinhos, além do ácido fórmico e da histamina, também penetram na pele serotonina e acetilcolina!!! Portanto a acção urticante é um poderoso estímulo não só físico como químico sobre o nosso vigor! (Abstenha-se quem tiver sensibilidade à histamina ou alergia a algum dos componentes da planta)

Mas vamos à receita!

1º escolhes um arrozinho integral de grão redondo, de preferência biológico e português (temos uma excelente produção na região de Setúbal). Colocas de molho por 8 a 10hs.

2º apanhas as urtigas num local limpo (sem pesticidas, nem excrementos de animais). Escolhe as mais verdinhas e jovens, sem flores. Para não te picares o mais prático é usares luvas.

3º enxagua o arroz e leva a cozinhar no dobro da água com o lume brando. Passados uns 20 minutos juntas o sal e as urtigas (previamente lavadas) e mexes de maneira a envolvê-las bem. Passados 5 minutos apagas o fogo e deixas repousar.

Combina maravilhosamente bem com um topping de pinhões (estes vieram de pinhas também apanhadas por mim) e regado com um fio de azeite.

Se queres saber mais sobre o uso alimentício de plantas silvestres e a alimentação “plant based”, não percas o meu próximo workshop: “Plant based diet, tudo o que precias saber”

Bombons Afrodisíacos

Nas celebrações do dia dos namorados não costuma faltar o chocolate!

No entanto, o chocolate “convencional”, na maior parte das vezes, está longe de ser um alimento amoroso e afrodisíaco. Vem carregado de açúcar, leite, cacau refinado e aditivos. E lá vamos nós corromper o nosso paladar e ficar adictos de um produto que, ao invés de estimular o amor e aumentar a vibração, nos narcotiza, enfraquece e debilita.

Felizmente a procura por opções mais saudáveis, mais éticas e empoderadoras está em crescente e faz parte da prática de uma alimentação mais consciente para a qual todos estamos despertando.

Aqui vos trago então o meu contributo para uma celebração amorosa, com esta receita especial de bombons afrodisíacos, com nutrientes que activam o corpo, aquecem o coração e acendem a líbido! Para os desfrutares desde a preparação, colocando todo o teu amor como ingrediente principal.

O cacau que eu utilizo, nesta e noutras receitas, é um cacau puro, em pó, de produção biológica, classificado como “cacau cru”. No entanto, cabe dizer, nos processos artesanais de secagem dos grãos de cacau ao sol, aos quais tive o privilégio de assistir há alguns anos (@cacau0rgasmic0), é frequente a temperatura desses belos grãos negros subir bem acima dos 45º (a temperatura limite na classificação de um alimento como cru), tal o poder que têm em atrair os raios de Sol, carregando-se da sua luz e energia! Este aumento da temperatura na exposição solar não deprecia, portanto, a qualidade dos grãos, antes pelo contrário!

Bem diferente é o tratamento do cacau em pó mais comercial, em que os grãos de cacau são torrados a temperaturas elevadas, processo que faz diminuir a sua riqueza em vitaminas, minerais e antioxidantes. Para além disso, muitas vezes levam compostos químicos e a produção não está regida por critérios ecológicos e de ética laboral.

O cacau puro “cru” é considerado um dos alimentos com maior concentração de antioxidantes! Tem reconhecidas propriedades antidepressivas, revigorantes e anti-inflamatórias. É muito rico em vitaminas do grupo B, em minerais (magnésio, cobre, ferro, zinco, entre outros) e em milagrosos fitonutrientes (como a teobromina, catequinas, muitos polifenóis e a feniletilamina – a “hormona da paixão”).

Portanto, por si só, o cacau, ou “Alimento dos Deuses”, como sabiamente lhe chamavam os Aztecas, é um alimento altamente afrodisíaco. Nesta receita vamos só activar ainda mais as suas propriedades, com poderosas sinergias e formas bonitas!

E vamos então à receita!

Rawbombons afrodisíacos:

Ingredientes:

  • 80g de cacau em pó
  • 120g de manteiga de cacau
  • 50ml de agave ou 1 colher de sobremesa de stevia verde (ajusta ao teu gosto)
  • pitadinha de sal
  • pitada de açafrão em pó
  • pitada mínima de caiena em pó
  • ½ c de café de baunilha natural em pó
  • raspa de meia laranja
  • sultanas
  • amêndoas activadas (demolhadas por 10hs)
  • pétalas de Camélia

Preparação:

Amornar a manteiga de cacau em banho-maria (derrete a 35º). Juntar o sal, as especiarias e a raspa de laranja e envolver bem. Misturar o agave e o cacau em pó e mexer bem até conseguir uma textura homogénea. Colocar em formas de bombons e rechear com sultanas, amêndoas e pétalas de Camélia. Levar ao congelador por 15 minutos, et voilá!

Acompanha com um chá de gengibre com damiana!

Feliz dia de São Valentim! Muito amor!

Nota importante:  o prazer imediato promovido pelo chocolate não é suficiente para resolver problemas de vitalidade, humor e emoções. Uma alimentação saudável e variada, em que predominem os vegetais (maiormente crus) é fundamental para manter a energia e a vitalidade em alta! Assim como uma boa capacidade digestiva e de absorção para a assimilação de todos aqueles milagrosos nutrientes.

Granola Crua

Viva, crocante e vibrante! Uma maravilhosa opção para um pequeno-almoço delicioso, saudável e mega nutritivo!

Frequentemente me perguntam por ideias para pequenos-almoços “alternativos” e saudáveis. Esta granola é a minha opção favorita para a primeira refeição do dia!

No meu percurso pela Alimentação Viva experimentei várias opções para o “desjejum” (1ª refeição depois do jejum nocturno). Desde variadíssimos sumos verdes e arco-iris a frutas inteiras, passando por pequenos-almoços mais “completos” – que, desde uma perspectiva higienista, devem ser tomados tardiamente, não antes das 10h / 11h da manhã, zelando o processo depurativo em que o nosso organismo se encontra pela manhã.

De entre esses pequenos-almoços mais “completos”, a granola viva de sarraceno conquistou-me pela variedade de texturas, potência nutritiva/energética, leveza digestiva e facilidade na preparação, transformando-se no meu predilecto e eterno pequeno-almoço crudi!

Aprendi a receita numa das aulas maravilhosas do curso do “Espiritual Chef” de Rawfood Intensivo, quando vivia em Barcelona. No entanto, a dica não veio dele, mas de uma aluna. Uma mulher jovem, com pouco mais de 30 anos, que tinha passado por um processo de doença cancerígena e que por esse motivo praticava então uma alimentação 100% crua e antinflamatória. Ela levava num tuperwere de vidro uma mistura de sarraceno activado, juntamente com algumas outras sementes activadas, maçã, curcuma em pó, pimenta preta e adoçado com stevia pura.

No meu afã por experimentar tudo o que tivesse aqueles superpoderes detoxificantes, fiz a Granola Viva (assim lhe chamo eu agora) em casa e adorei!!!

Entretanto, fui criando algumas variantes, procurando manter as suas características essênciais. E hoje foi assim:

coloquei sarraceno, sementes de linhaça e amêndoas activadas (técnica recorrente na Alimentação Viva que consiste, basicamente, em hidratar as sementes tornando-as mega-nutritivas e muito mais digestivas), stevia verde em pó, sultanas, spirulina*, um fiozinho de azeite virgem bio e romã do nosso pomar. Podes variar os frutos secos e as sementes oleaginosas (escolhe os que sejam mais locais), a fruta (não mistures muitas e procura não juntar frutas doces com ácidas) e outros condimentos. Eu vou variando entre canela, curcuma, spirulina, maçã, pêra, sementes de girassol, sementes de abóbora, avelãs, nozes, etc.

E eis um super pequeno-almoço, híper/mega saudável, nutritivo, lindo e delicioso, que te dará energia para horas “a fio”!

Se queres saber mais sobre os benefícios da Alimentação Viva e aprender a activar/germinar sementes, integrando-as em outras maravilhosas receitas, não percas o workshop de Activação e Germinação de Sementes já este domingo.

*escolhe spirulinas artesanais e de produção nacional. São muito mais ricas em nutrientes, mais sustentáveis e estás a apoiar uma economia local e consciente. Eu adoro a spirulina dos Açores e toda a equipa 5esentia!